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Efêmero Refugio

Mentirosos - Saraiva
Autor: E. Lockhart 
Editora: Seguinte 
Páginas: 272 
Sinopse: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence - neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos.
Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.
Com a enorme quantidade de pessoas lendo esse livro, fiquei curiosa e decidi lê-lo, sem noção de nada. E foi bem diferente do que eu esperava, justamente por essa falta de expectativa e pela surpresa em relação a história, o rumo que tomou. Assim, decidi falar o que achei dele, mesmo tendo ficado sem palavras para descrever essa leitura.
Bem-vindo, mais uma vez, à bela família Sinclair.
Acreditamos em exercícios ao ar livre. Acreditamos que o tempo cura.
Acreditamos, embora não digamos de maneira tão explícita, em remédios controlados e drinques antes do jantar.
Não discutimos nossos problemas em restaurantes. Não acreditamos em demonstrações públicas de angústia. Nosso lábio superior é rígido e é possível que as pessoas fiquem curiosas a nosso respeito porque não abrimos o nosso coração.
Uma das coisas que mais me fez chocar com o livro foi a “perfeição” da familia Sinclair e como, aos poucos, ela foi fragmentada com um fundo que levou a muito mais tragédia do que o leitor poderia esperar. A melhor prova disso? A protagonista, que parece tão quebrada como se algo faltasse, e, de certa forma, não entendemos o motivo, aumentando nossa angustia com essa situação.

Quanto a esse desenrolar, somos apresentados as memórias e quando achamos que finalmente compreendemos o enredo, algo novo surge e a quantidade de questionamentos aumenta, até que, aos poucos, os acontecimentos se interligam, explicando-se e solucionando-se.
Johnny é estalo, iniciativa e sarcasmo.
Mirren é açúcar, curiosidade e chuva.
Gat é contemplação e entusiasmo. Ambição e café forte.
Os mentirosos, em si, são personagens que valem pela história toda. Vivem, durante o verão, como se estivessem alheios ao resto do mundo, aproveitando bastante. Cada um com uma personalidade, cada um tendo um elo com Cadence, o que os torna ainda mais próximos do leitor. Adorei como todos os relacionamentos foram bem desenvolvidos e realistas, fazendo com que a situação se tornasse ainda mais verdadeira.

Quanto aos outros personagens, principalmente da família Sinclair, são tão humanos quanto qualquer um, por mais que tentassem mostrar uma figura de perfeição. As consequências do materialismo excessivo e dessa vida “ideal” deixa marca em todos, ainda, de certa forma, tornando-os pessoas melhores. 
Aja como uma pessoa normal, ela disse. Agora mesmo.
Porque você é. Porque você pode ser.
Com uma leitura fluída e bem rápida, deixando-nos angustiados para entender  o acidente e aquele verão misterioso, o final de Mentirosos foi o que mais me deixou sem palavras. Não poderia imaginar. Não estava pronta para aceitar aquela verdade, mas nem Cadence estava, então consegui sentir-me bem no lugar dela.
Deu para ver que gostei do livro, não é? Sim, sou muito mais uma leitura leve e agradável, da onde vou sair mais com risadas do que com o coração pesado, mas acho que valeu a pena e se você gosta desse tipo de história, grandes chances de gostar desse livro também. 
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Sinopse: Pode ser difícil se manter do lado certo da lei, mesmo para pessoas que trabalham nos regimes jurídicos. Koo Dong Chi (Choi Jin Hyuk) é um promotor que tem visões ideais do que é certo e errado e um forte desejo de ajudar a manter a lei e ordem. Trabalhando junto com o Promotor-Chefe Moon Hee Man (Choi Min Soo) e uma novata, Han Yul Moo (Baek Jin Hee), poderá Dong Chi prevalecer do lado da lei, mantendo seus colegas dentro de suas condutas rigorosas e levar criminosos à justiça? "Pride and Prejudice" é um drama sul-coreano de 2014, dirigido por Kim Jin Min.
Entre as coisas da minha meta de férias, Pride and Prejudice, foi um dorama que assisti sem expectativa e sem noção de qual seria o foco da sua história. E tive que vir falar com você sobre ele, já que acho que muitos iriam gostar bastante. Antes de tudo, queria esclarecer algo que a sinopse deve ter deixado claro: não tem nada a ver com a obra de Austen, por isso se estiver procurando por um remake coreano moderno de Orgulho e Preconceito, esse não é o seu dorama. Mas se procurar por uma história emocionante, com um mistério muito bem trabalhado, vale a tentativa.
 
Uma das coisas que pode ser estragar definitivamente um dorama são seus personagens principais e, em Pride and Prejudice, ambos foram consistentes e interessantes. Não chego a dizer que me apaixonei por nenhum dos dois, mesmo que eu adore o Choi Jin Hyuk (ator do Dong Chi), mas foram encantadores o suficiente para não me fazerem perguntar "Vocês dois não pensam? Coisa mais sem sentido!", o que já ajuda em muito para nos envolver na história.

Além disso, a consistência da atitude deles, assim como de tudo mais no k-drama, foi um ponto forte. Não é incomum encontrarmos histórias que as coisas acontecem repentinamente ou que os personagens agem sem pensar nas consequências. Aqui, não. Calculam bem e, mesmo quando se arriscam, tem uma finalidade por trás, não sendo só "atoa". Claro, são bem humanos, o que significa que erram as vezes também, mas nada imperdoável.
 
 
Aja bromance! Eu mal conseguia esperar para ver cenas com o Kang Soo, porque simplesmente o amei, com todo meu coração. Além de lindo (e bota lindo nisso), ele tinha todas as características para fazê-lo adorável, o que fazia com que, sempre que estava triste, meu coração partisse junto. Sinceramente, não sei se era melhor as cenas dele com o Chan, o menino de seis anos que eles a"adotaram", ou com o Dong Chi. De qualquer forma, nas duas, estava um amorzinho. 

Assim, mostrei os três principais. E a maneira como se relacionam, conhecem e os destinos se interlaçam é extremamente interessante. Além deles, os personagens secundários são muito bons. Desde os "vilões" que as vezes faz com que nos perguntemos se são realmente os caras maus, mas sempre surgindo algo novo. Até mesmo os outros promotores, que tem sua participação para lá de especial nos casos. 
 
Falando em secundários, o que falar desse casal para lá de diferente? Entre os tapas e beijos, literalmente, o relacionamento deles foi se desenvolvendo e acabou se tornando meigo, nos fazendo ficar curiosos para vê-los em outras cenas, já que as atitudes deles sempre eram imprevisíveis. 

Disso, já pego a brecha para falar de romances, que sim, teve. Talvez não em graaande quantidade, mas o suficiente para fazer com que nos interessamos pelos casais existentes. Eram bem realistas e pareciam mesmo saber com o que estavam lidando, mostrando o que queriam e não tendo uma enrolação desnecessária quanto ao seu relacionamento.
 
Houve algumas cenas de alivio da tensão constante que existia na série e eram sempre bem vindas, salvando as minhas unhas, preparando-nos para o que estava por vir com um coração mais tranquilo. Das adorabilidades do Chan, com as cenas no apartamento. Tudo isso aliviava do mistério e suspense que pendia constantemente ali.

E falando nele, enrolei, enrolei, mas tenho que bater palmas para a construção do enredo da série, em vários sentidos. O mistério e as investigações dos crimes eram interessantes, sempre bem detalhadas e bem feitas, o que trazia um ar de realidade, levando-nos a entrar cada vez mais para o universo do dorama. Houve algumas investigações que não se relacionavam com o mistério principal, mas ainda eram intrigantes e nos prendiam da mesma forma. 

Uma salva de palmas também para o Chief Moon, que teve uma atuação incrível. Eu amava e odiava o homem por isso, sem saber o que sentir, mesmo que suspeitasse desde o princípio dele. Sempre havendo uma surpresa, um novo fato que parecia só aumentar suas duvidas, até que tudo fosse esclarecido. 

O que nos leva ao final. Sinceramente? Não achei grande coisa, mas vai ver foi por ter visto tudo de uma vez. Tenho certeza de que, se tivesse acompanhado do começo, talvez sentisse mais. Tudo foi resolvido e até foi uma conclusão feliz, mas não fiquei exaltada de felicidade nem nada. Assim, um dorama que foi todo bem construído teve um final de acordo, no entanto, sem causar (pelo menos em mim) muita emoção. Não foi um desperdicio de tempo, mas também não foi o melhor dorama que vi, tendo feito valer a pena.
Finalizando com Kang Soo em seu momento "chuveiro/ trauma".
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Obsidiana - Saga Lux - Livro 1 - Saraiva

Autora:Jennifer L. Armentrout 
Editora: Entangled Teen (USA) | Valentina (Brasil, 2015) 
Páginas:292 
Sinopse: Começar de novo é uma porcaria.
Quando nos mudamos para West Virginia antes do último ano de curso, eu tinha me resignado ao sotaque engraçado, ter conexão de internet ruim e me cansar da vida monótona como uma ostra... até que eu vi meu vizinho sexy, alto e com impressionantes olhos verdes. As coisas finalmente pareciam estar melhorando.
E então ele abriu a boca.
Daemon é insuportável e arrogante. Nós não nos damos bem. Nada, nada bem mesmo. Mas quando um estranho me atacou e Daemon congelou o tempo, literalmente, com um movimento de sua mão ... Bem, algo aconteceu ... inesperado.
O sexy alienígena que vive do outro lado da rua.
Sim, você ouviu direito. Alien. Acontece que Daemon e sua irmã têm uma galáxia cheia de inimigos que querem roubar suas habilidades, e o toque de Daemon fez com que eu parecesse um daqueles sinais luminosos em Las Vegas. A única maneira de sair dessa viva é ficar colada a Daemon até que minha "luz" extraterrestre se apague.
Isso se eu não matar a Daemon antes, claro.
~Pode conter spoilers ~ 
Acho que essas férias estão servindo para eu me reencontrar novamente, poder me perder nas leituras como eu fazia há algum tempo e como estou dando sorte na escolha dos livros. Já tinha visto muitas pessoas comentarem sobre a série Lux e depois de ler alguns reviews no Goodreads - que comecei a usar, de verdade, recentemente - fiquei curiosa demais. Assim, peguei-o a noite e não consegui dormir até terminá-lo. E foi uma leitura muito agradável.
— Eu sempre achei que as pessoas mais bonitas, verdadeiramente bonitas por dentro e por fora, são as únicas que silenciosamente desconhecem seu efeito. — Seus olhos procuram os meus atentamente, e por um momento ficamos ali, de igual para igual — Aqueles que vangloriam-se de sua beleza, não valorizam o que tem? Sua beleza está apenas de passagem. É apenas uma concha escondendo nada além de sombras e um vazio.
Quando comecei a ler o livro, como já tinha lido a sinopse, estava esperando algo bem clichê. Afinal, quem nunca leu um livro que a mocinha humana se depara com um ser sobrenatural? Confesso, até, que a vibe me lembrou um pouco Crepúsculo, o que esqueci conforme fui mergulhando na história. Só que fui surpreendida com uma história que tem personagens bem interessantes e suas criaturas sobrenaturais bem inovadoras. 
Parando em uma das mesas vazias, deixei escapar um pequeno suspiro de felicidade. Eu sempre era capaz de me perder na leitura. Os livros eram uma fuga necessária sempre que eu queria parar de pensar.
Um motivo para amar o livro, logo de cara? Katy, a personagem principal. Leitora e blogueira. Estava pedindo para eu amá-la, só pode. Além disso, ela tem muita atitude e não se deixa intimidar momento algum, o que me fez, em muitos momentos, dar pulinhos de orgulho e (cof) soltar uns "arrasou, garota!". Talvez seja porque o livro é narrado por ela, mas foi muito fácil me conectar com ela e com o que ela pensava. 
Depois da cena do macarrão...
Tem também a questão "alienígena", que podemos levar em conta. Não tenha nada contra aliens, contanto que não desejem fazer experimentos com nossos orgãos (ugh). Assim, fui de cabeça bem aberta para como eles seriam tratados nessa história e adorei. Os Luxen são seres de luz, literalmente, sendo que tem capacidade de fazer várias coisas, tais como cura, metamorfosear, ler auras, entre outras. Geralmente eles tem afinidade para ser muito bom em uma (sendo justos, pelo menos). Os Arum, inimigos naturais dos Luxen, são seres de sombra e vieram até a Terra, buscando os Luxe para tirar seus poderes, o que acaba matando-os. Legal, não é? Principalmente se tiver um pouco de criatividade para imaginar os dois (ou assistir muitos shows com aliens, também pode ajudar). 
Então, o idiota tinha um nome. Daemon, parecia adequado. E, claro, sua irmã seria tão atraente quanto ele. Por que não? Bem-vindo a Virginia do Oeste, a terra de modelos perdidos.
Agora, falei o que poderia fazer vocês gostarem de cara. Que tal falar o principal motivo? E deve ser meio óbvio. Daemon. Que personagem masculino dos deuses (do espaço?), sinceramente. Não é só questão do físico perfeito (o que pode ajudar), mas também da personalidade. Claro, ele é um idiota na maior parte do tempo as vezes, mas consegue ser tão sedutor, encantador e apaixonante que não pude fazer nada se não me apaixonar. 

O romance dos dois foi muito bem feito, do meu tipo preferido  - simplesmente  amo casais que tem relacionamento ódio-amor -, principalmente porque foi algo construído e não um amor a primeira vista, como poderia se supor. Faz com que fiquemos ansiosas por mais cenas deles juntos, frustradas com algumas e rindo de outras. Tem coisa melhor? 
— Por que você é tão idiota? — As palavras saíram antes que eu pudesse pensar duas vezes.
— Todo mundo tem que se destacar em alguma coisa, né?
— Bem, você está fazendo um ótimo trabalho. 
image
Tem alguns personagens que vale a pena citar, como Dee, irmã de Daemon, que no começo achei um pouco irritante, mas acabei gostando bastante dela, ao entender melhor sua atitude. Todos os outros Luxen, que são um pouco "revoltados" com Katy, mas no fundo não são tão maus assim. 

Assim, a história toda foi muito bem feita e teve um final bem interessante, deixando-me curiosa para o próximo, o qual só não li porque falei que terminaria primeira temporada de  Grimm primeiro. O livro será lançado aqui no Brasil ano que vem pela Editora Valentina e o que podemos fazer, por agora, é só esperar sair aqui pra fazer uma releitura em português. 
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Autora: Kaoru Ichinose
Sinopse: É o início do ensino médio, e Kako decide "produzir" seu amigo de infância, Kousei, de modo queele pode se tornar um ídolo da escola tendo boa aparência e sendo popular. Ela se indpirou em Lawrence,um personagem de um mangá que ela gosta, mas como transformação Kousei torna-se um enorme sucessoe ele estende seu novo personagem para além do que ela pede, o que Kako vai fazer? Será que ela vai encontrar-se deixada para trás na esteira de sua popularidade recém-encontrada? 
Um mangá que estava incluso na minha meta de férias e que, na falta do que fazer, devorei a história em uma madrugada. Com vários motivos para ter gostado, acho que tive vários surtos fangirls - e quem me tem nas redes sociais, percebeu isso - enquanto lia. 

Bom, sem mais enrolação, começarei falando do porque me prendi tanto na história. Para quem já tem o hábito de ler shoujos, sabe que geralmente tem a história do menino popular que aí, por alguma situação, conhece uma garota aparentemente comum e, a partir disso, tudo muda. Nessa história, não é assim e eu AMEI isso.

Kousei e Kako são amigos de infância, o que dá um plano de fundo muito lindo para a amizade deles. Quando tinha flashbacks de quando eles eram crianças, faltava ter ataque de fofura, porque ambos são tão meigos. Dá pra sentir a amizade deles, o motivo porque fazem tudo que fazem, e isso é o melhor de tudo, nessa história toda. Além disso, os personagens dos dois são muito interessantes, o que já é meio caminho andado. 
Mishounen produce [ Country Bump 1 & 2 c; ]
Se você for esperando romance logo de cara, acho melhor te avisar que não é bem assim. Tem sim, romance, mas senti que a amizade deles, de certa forma, era mais importante e talvez por esse motivo não ficou algo "na cara" logo no começo. Claro, isso não significa que eles não tenham umas cenas que nos façam surtar (porque tem sim, muitas), mas é tudo na base da provocação e nunca temos certeza de nada. 

Outro motivo óbvio para gostar da história: Yagami Kousei. QUE PERSONAGEM MARAVILHOSO. Gostei dele "príncipe", sexy, selvagem (Tarzan feelings) ou como for. Conquistou totalmente e foi o tipo de personagem que não desprezou a mocinha para que ela gostasse dele ou algo assim. Preocupava-se com ela e deixava isso nítido. 
Mishounen Produce  Mishounen Produce
Tem a questão do trabalho dele no showbusiness e acho que mostraram muito bem, apesar de não terem dado 100% de foco. E a suposta rivalidade dele com Tomoe foi uma coisa incrível de se ler, porque depois se mostrou algo com fundamento e não simplesmente "quero te odiar, vamos ser rivais".  Os outros personagens secundários que foram chatinhos também cumpriram bem o papel e com bom sentido. 

Um detalhe que eu não poderia deixar de fora: que arte linda, desse mangá. Sério. Babei, simplesmente. Sou bem exigente quanto a isso, porque se é pra sentir a beleza dos personagens e essas coisas, a arte tem que estar de acordo e, nesse caso, foi isso que aconteceu. 

Li o mangá em inglês por força do hábito, mas tem online aqui e quem procurar, também acha para download. Uma boa história para passar o tempo e ter mais um personagem para se apaixonar, definitivamente. Por isso, totalmente recomendado. 
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Autora: Cassandra Clare 
Editora:Galera Record 
Páginas: 288 
Sinopse: A Clave tem o prazer de anunciar a mais nova edição no mais antigo e famoso manual dos Nephilim: o Shadowhunters’ Codex. Desde o século XIII, o códex vem sendo o mais jovem amigo de todo Caçador de Sombras. Quando você está cercado por demônios, é muito fácil esquecer os pontos mais obscuros da linguagem demoníaca ou a maneira mais rápida de parar um ataque de demônios Raum. Com o códex, entretanto, você nunca vai precisar se preocupar.
Pouco tempo depois de terminar Cidade do Fogo Celestial, já estava pensando como seria ficar sem esses personagens que acompanhei por muito tempo. Eis que o Codex surgiu como uma solução magnifica, já que, além do conteúdo dos monstros, também tinha os comentários de Jace, Simon e Clary. Ganhei o livro de presente de aniversário e logo fui conhecer melhor o mundo das Sombras, criado por Cassandra Clare.
 
Confesso que quanto ao conteúdo, não é um dos mais intrigantes, já que muita coisa aprendemos com os livros de Instrumentos Mortais e outras é um conhecimento que as várias histórias de criaturas sobrenaturais já haviam me ensinado, só que como era o ponto de vista especifico da Clave e dos Caçadores de Sombras, dá para acompanhar e descobrir mais detalhes sobre tudo isso. 
Claro que o que mais adorei no livro todo foram os comentários e notas deixados pelos personagens que tanto amo. Conforme você ia acostumando de quem era a letra, ficava ainda mais fácil acompanhar e entrar de cabeça naquilo. 
Mesmo Simon não sendo particularmente o meu favorito, confesso que ele foi extremamente engraçado nos comentários que fazia. 
Além dos finais dos capítulos que sempre tinha uma dose boa dos personagens, o começo do seguinte sempre tinha um desenho magnifico de "capa". Ilustrações foram, certamente, outro ponto forte desse livro. 
E as notas e ilustrações poderiam ser encontrados em muitos cantos.
Assim, serviu ao proposito de matar a saudade. O Codex é aquele tipo de livro que realmente precisa ter em mãos, tanto porque ele é lindo, com uma capa incrível e até a contracapa arrasando, mas porque faz você se sentir como se estivesse realmente incluído no mundo dos Caçadores das Sombras, o que é incrível. 
Sei que geralmente escrevo mais e não sou de tirar fotos dos livros, mas precisava mostrar como o livro é maravilhoso para que entendessem o meu motivo pelo qual o desejei. Acho que fiz um bom trabalho, para uma primeira vez, não é? 
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Autor: Marissa Meyer 
Editora: Rocco 
Páginas: 480 
Sinopse: Depois de Cinder, estreia de sucesso de Marissa Meyer e primeiro volume da série As Crônicas Lunares, que chegou ao concorrido ranking dos mais vendidos do The New York Times, a autora está de volta com mais um conto de fadas futurista. Scarlet, segundo livro da saga, é inspirado em Chapeuzinho Vermelho e mostra o encontro da heroína ciborgue que dá nome ao romance anterior com uma jovem ruiva que está em busca da avó desaparecida. Em uma trama recheada de ação e aventura, com um toque de sensualidade e ficção científica, Marissa Meyer prende a atenção dos leitores e os deixa ansiosos pelos próximos volumes da série.
~ Pode conter alguns spoilers ~  
Li Cinder, o primeiro livro de Crônicas Lunares, há um bom tempo e ainda assim lembrava que quando comecei, não consegui parar e me encantei bastante pelo livro. Scarlet não foi diferente. Eu não estava nem com a intenção de lê-lo por completo, só lia enquanto deixava o episódio de Grimm carregando. Só que chegou uma hora que acabei não conseguindo parar e ver a série, e eis que aqui estou.

No começo, confesso, fiquei um pouco confusa, porque não estava acostumada com aqueles personagens e ambientes. Só que logo que tudo foi contextualizado, me encantei com tudo que era novo e gostei ainda mais do que era velho (Kai e Cinder, por exemplo). Nesse livro, há um plot diferente que se interliga aquele antigo, envolvendo Cinder, lunares e algumas conspirações.

De cara, somos introduzidos a Scarlet, uma garota com personalidade bem forte (digo, quem começa a história já jogando tomares nas portas alheias) que está preocupada com o sumiço da avó, que todos dizem ter sido uma fuga, enquanto ela tem certeza que foi um sequestro. No entanto, a vida continua e ela prossegue com seu trabalho da fazenda, e em uma das entregas para uma taverna, conhece Lobo. Lobo que tem todo um ar de misterioso, que por grande parte do livro, nos deixa indecisa quanto a gostar/confiar ou não... E mesmo que você saiba a resposta, talvez não adiante muito.
Um sorriso aliviado se abriu no rosto de Thorne.
– Estamos tendo outro momento, não é?
– Se por momento você quer dizer que eu não tenho vontade de estrangular você pela primeira vez desde que nos conhecemos, então acho que sim.
Há uma alternância da narração dos fatos, sendo que uma hora foca em Scarlet, outra volta para Cinder e as vezes tem umas outras visões diferentes, tudo isso visando nos deixar bem contextualizados (e ajuda bastante). Nas aparições de Cinder, ela está acompanhada do carismático (boatos que melhora ainda mais em Cress) Thorne, e apesar dos dois quase sempre estarem se implicando, acabou formando uma amizade interessante, com toda a aventura que tiveram de passar juntos. 

Claro, outras aparições que temos são de Kai, que mostra muito do que está ocorrendo quanto a Rainha Levana e todo o Império, as decisões difíceis que estão sendo de ser tomada e mesmo o caos de algumas situações. Também dá para manter nosso shipp intacto e feliz, mesmo com o que o final nos reservou.
“– Eu sabia que me matariam quando descobrissem, mas... – Ele lutou para encontrar palavras e respirou fundo. – Acho que percebi que preferia morrer por tê-los traído a viver porque traí você.”
Assim, digo que a leitura foi bem fluída e a autora conseguiu trabalhar todos os aspectos que precisavam ser trabalhados na história. O romance se desenvolveu suavemente, nos deixando na expectativa e totalmente compensando isso, depois. As cenas de ação nos fazendo roer as unhas, esperando o próximo movimento.
“– Lobo, você está me pedindo para ser... sua fêmea alfa?
(...)
– Fêmea alfa – ele murmurou. – Acho que gosto disso.
Com um sorriso largo, Scarlet deu de ombros de leve.
– Posso acabar gostando também.”
Esse foi meu trecho favorito da história. SÉRIO. Comecei a rir feito uma louca porque foi estranhamente adorável. O que resume bem o casal principal desse livro. Não é aquele casal que você olharia de primeira e falaria "são eles", mas dão super certo.

Gostei bastante do livro e teve um final bem interessante, mesmo com os acontecimentos tristes. Estou super ansiosa para ler Cress (torturei-me, lendo os reviews no Goodreads), que além de ter uma Rapuzel geek e Thorne arrasador, tem uma capa linda que espero que mantenham quando lançarem aqui. Só aguardar agora, não é pessoal?

Para finalizar com qualidade, compartilhar com vocês uma fanart que mostra muito bem como imaginei os personagens (menos Thorne, que imaginei moreno, mas relevemos).
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O Inferno de Alice 

Escrito por Karla Cristine e Vitória Rodrigues
Untitled | via Tumblr
Alice estava entediada. Talvez essa nem fosse a palavra que melhor descrevesse seu estado. Chateada. Mal-humorada. Tinha certeza que seus pais iriam lhe dar uma bronca por estragar o espírito natalino, mas agora ela não precisava se preocupar, já que não estavam presentes. Ela sabia que não era culpa deles. Compraram o pacote da viagem a um preço muito baixo e só havia vagas nessa época do ano. Acharam que voltariam a tempo, mas os aviões muito prestativos quiseram provar que estavam errados. E ali estava ela, presa com a irmã, no Natal, sem um pingo sequer de espírito natalino.  
Por isso, largar seu livro e o calor acolhedor de sua cama para sair com a irmãzinha mais nova e aproveitar daquele dia natalino no qual passaria sem seus pais era só um talvez que passeava distante na mente de Alice. E esse talvez continuaria muito distante se a pequena Maria, ou Maria-capetão como era mais conhecida pelos colegas do jardim de infância, não interrompesse pelo quarto da irmã mais velha numa carinha cheia de animação e euforia.  
— Vamos pra praça! — gritou.  
Alice só suspirou e revirou os olhos castanhos-esverdeados mantendo-os presos no livro à frente. Estava numa parte importantíssima da leitura que fazia. Finalmente a personagem principal faria alguma coisa e seria útil naquela história. Finalmente a personagem principal pararia de ser insuportável e tiraria “améns” de puro êxtase das línguas dos leitores que acompanhavam aquela série há tempos. No entanto, sua irmãzinha de cinco anos estava é se lixando para esse momento divino que Alice tinha ao ler seu livro. Mariazinha queria mesmo era ir à praça e ver a chegada do Papai Noel e conseguir capturar alguns dos doces que ele jogaria no alto para as crianças. Então insistiu mais uma vez gritando a mesma coisa.  
— Não vamos sair, Maria. A mãe e o pai falou que devemos tomar cuidado hoje porque estamos sozinhas e é perigoso.  
— Alice! — berrou. 
— Acho bom parar de gritar e tirar da cabeça essa ideia. Não vamos.  
— Alice! 
— Vá brincar na sala.  
— Sua chata! — Maria continuou berrando.  
Estressada pelos gritos da irmã mais nova e nervosa por não conseguir manter sua atenção no livro, Alice mandou Mariazinha ir pastar. E que fizesse isso bem longe. Que sumisse também. Ô menina desgracenta essa Maria. Só servia para encher o saco dos outros.  
Além do mais, o que ela tinha na cabeça? Sair para passear numa noite fria daquelas? Certo que não nevava, mas fazia frio, muito frio. Sua cidade tinha desse tempo. E mais, nem que lhe pagassem Alice sairia de casa naquela noite para ir ver um homem gordo e hipertenso jogando doces para um bando de crianças sanguinárias à espera dos diabetes em embrulhos laminados.  
Quando viu Mariazinha sair do quarto bufado e batendo os pés, Alice se ajeitou na cama e mergulhou na leitura de vez. Nada mais naquela noite lhe atrapalharia.    
~~ Leia mais continua daqui ~~~
Ou pelo menos era isso que pensava, até ouvir seu celular tocando da cômoda. Pegou-o e, ao ver que era seu pai, suspirou, sabendo que dessa não escaparia, a não ser que quisesse receber bronca por uma semana. Atendeu o telefone, tentando usar seu tom mais agradável. 
— Olá pessoa que eu mais amo no mundo. Está tudo bem aqui. Amo você. Tch... — No entanto, não foi rápida o suficiente para desligar e conseguia perceber a insatisfação de seu pai. 
— Alice, não aja como uma criança. Queríamos desejar um feliz natal para você e sua irmã. Amanhã talvez consigamos entrar em contato com a agência de viagens para arrumar um avião de volta. Enquanto isso, vocês sabem que, qualquer coisa, é só falar com Cida que ela irá lhes ajudar. 
— Não foi o discurso que me fizeram ouvir durante, deixe-me ver, uma hora? Pode ficar tranquilo. Consegui cuidar de nós duas por uma semana. Mais um dia ou dois não vai ser problema.  
— Está certo. Sabe que toda preocupação é só porque eu e sua mãe amamos vocês, certo? — Fez um som de concordância, mesmo que não tivesse muita certeza disso. — Posso falar com Maria? Estou com saudade do meu bebê.  
— Ok. — Abaixou o telefone, colocando-o no colo. — Maria, vem cá agora! O pai quer falar com você e falou que se você não vier, não vai receber presente!  
A menina não teve sinal da irmã, que, a esse ponto, teria vindo correndo a simples menção de presentes. Isso era preocupante. Não que ela pudesse deixar transparecer algo para os pais. Procuraria a garotinha logo depois, para que pudesse ler tranquilamente.  
— Maria está brincando e não quer vir aqui agora. Conhece sua filha melhor que eu. Sabe como ela é — Uma peste. — Extremamente teimosa.  
— Entendo. Diga que mandamos um abraço bem forte. E Alice, mesmo que não estejamos aí, não deixe de aproveitar, ok? Feliz Natal! 
— Até, pai — disse e desligou o telefone.  
Olhou para o livro ao seu lado na cama que parecia a estar convidando para ficar. Estava quase terminando. Só mais algumas páginas e chegaria ao tão esperado final. No entanto, agora tinha que achar Maria. Levantou-se da cama, esticando-se preguiçosamente. Seu corpo reclamou pelas horas paradas, mas sabia que assim que achasse a irmã, voltaria para lá. Tinha que aproveitar qualquer descanso, antes que não houvesse nenhum. 
O que Alice não esperava era que o universo conspirasse contra si naquela noite. Tudo está indo por descarga a baixo. Não, melhor, está indo pra fossa, a garota constatou. Porque, assim que saiu à procura de Mariazinha, deparou-se com um apartamento vazio e sem sinal da pirralha de marias-chiquinhas tortas e com a boca avermelhada recém-banguela.  
Procurou por cada cômodo, por cada lugarzinho que pudesse se lembrar ou que coubesse uma guriazinha gorducha como a Maria-capetão. Olho debaixo das camas, nos guarda-roupas, debaixo das mesas, em tudo! Nada da sua irmã mais nova. Então começou a gritar por Maria. Gritou até ficar rouca. Gritou que ela ficaria sem presentes caso não aparecesse logo. Gritou que ela não comeria doces. Gritou até que iria levá-la à praça para ver o Papai Noel hipertenso. E nada de Mariazinha. Nesse meio tempo de busca, Alice já estava desesperada pensando no pior. Sua mente fértil armava milhões de possibilidades para aquilo.  
Devido a esse desespero tremendo e assustador, a garota chegou a pensar em ligar à polícia. Desistiu quando percebeu que isso faria ter de entrar em contato com os pais. E o que seus pais diriam? Irresponsabilidade da parte de Alice, é claro. Afinal, ela estava com recentes 18 anos e deveria tomar conta da irmã menor. Nessa linha de pensamento, a única coisa que veio em mente, melhor, o único nome que veio em mente foi o de dona Cida. Mariazinha costumava ir muito ao apartamento da vizinha. Talvez ela estivesse ido para lá. Isso, talvez tivesse ido lá mesmo. E se não estivesse lá, com toda a certeza, a senhorinha iria ajudá-la a encontrar sua irmã. 
Alice, agasalhando-se rapidamente, saiu do apartamento e seguiu em direção à porta ao lado. Tocou a campainha com os dedos trêmulos e quando a porta fora aberta, nem esperou para certificar-se de que era a dona Cida ali. Começou a falar sem pausa, numa velocidade que só, exibindo todo o seu medo.  
— AmarizinhasumiueeuprocureiporelaportodoocantodacasaenãocheieagoranãoseioquefazerdaívimsaberseelaestáaquieporfavordonaCidadigaquesim! 
— Hã, oi?  
Ao ouvir a voz grossa e confusa de alguém que não era dona Cida, Alice se dera conta de que a pessoa à sua frente era um garoto. Garoto? Não. Um deus grego, isso sim. Alto, de pele clara, olhos cor de mel, cabelos escuros como a noite bem bagunçados e totalmente descalço. Parecia um personagem saído dos livros.  
— Você não é a dona Cida — Alice falou.  
— É óbvio que não sou.  
— Então, quem é você? E cadê a Dona Cida? É uma emergência e, pelo amor de Deus, diz que você viu uma garotinha mais ou menos desse tamanho — mostrou a altura que achava que a irmã tinha —, parecida comigo, por aqui. Diz que sim, diz que sim. — A última parte era para ser somente em pensamento, mas ela não estava exatamente no controle da situação. 
— Respire. — Ele estava se divertindo com o desespero dela. Quando seus pais lhe falaram para passar o Natal ali, achou que tudo fosse ser bem tranquilo. Não que estivesse reclamando. Diversão sempre é bem-vinda. 
— Então, você viu ou não? — Os olhos dela brilhavam em expectativa. Talvez não só isso, mas a ideia de que a irmã poderia ter simplesmente ido brincar com a velha vizinha era tão apaziguadora quanto ver um garoto bonito como aquele.  
— Acho que talvez. — Ele se aproximou, fazendo que fosse possível que Alice sentisse seu cheiro de banho recém-tomado. Ela balançou a cabeça, olhando-o, esperando terminar sua fala. — Olhos verdes e cabelos prestos? Extremamente inquieta? 
— Então você a viu? Oh, Deus, obrigada Senhor, juro que... 
— Não a vi. — Tinha voltado para sua posição anterior, sem nunca tirar o sorriso do rosto. 
— Como a descreveu tão bem? E não venha me dizer que é um stalker meu e persegue minha família para usá-la como chantagem para me abusar, porque juro que você vai se arrepender. Te farei sofrer — 
— Você disse que eram parecidas. — Deu de ombros, como se isso explicasse tudo (e explicava, mas Alice nunca admitiria isso para si mesma). — Queria ver qual seria sua reação. Talvez oferecesse para tomarmos um café se achasse que a encontrei ou algo assim.  
— Você. — Ela teria batido nele, se uma pergunta bem óbvia, e ainda não respondida, não tivesse brotado em sua mente — Quem é você? E cadê a Dona Cida? 
 — Sou seu neto e estou aqui para cuidar dela. Ela está cochilando no momento, então, sinto muito, mas ela está indisponível. 
— Como posso garantir que você não é um assassino de senhoras que moram sozinhas e está tentando disfarçar?  
— Recolha as garras, gata, ou não vou te ajudar. — Enquanto disse isso, abriu espaço para ela passasse pela entrada, o que fez sem hesitar, ouvindo a porta ser fechada atrás dela.  
— Quem disse que eu preciso de ajuda? — Viu Dona Cida deitada na poltrona, com os olhos fechados, como sempre encontrava a mulher, quando ia buscar Maria ali. A mulher parecia capaz de dormir em qualquer lugar, em qualquer situação. 
— Você parecia bem desesperada alguns minutos atrás. E meu instinto heroico não consegue ficar longe de ajudar belas senhoritas. Por mais loucas que elas possam parecer. 
— Não está insinuando que eu sou — quando ela elevou o volume, ele apontou para a avó, pedindo para que fizesse silêncio e ela o diminuiu instantemente — louca, não é?  
— Talvez louca por mim? — Piscou para ela, que pegou uma almofada no sofá mais próximo e lhe tacou, errando por pouco e quase acertando a televisão. Ele olhou para a almofada, agora inofensiva no chão e parecia prestes a ter uma crise de riso. — Vejo que seu talento em atacar alguém é algo exclusivo com as palavras, hein? 
— Quer mesmo testar?  
Alice se aproximou, pronta para um próximo ataque e dessa vez teria certeza de acertá-lo bem na cara. O olhar no rosto dele mudou para malicioso quando ela estava a poucos passos, o que fez com que permanecesse no mesmo lugar. 
— Se quiser se aproximar, gata, é só vir. Não precisa usar pretextos. 
Dando um passo para perto, o rapaz diminuiu ainda mais a distância entre dois. Ela queria não achá-lo tão bonito e não se sentir atraída, mas era impossível. Afastou-se e sentou no sofá, pretendendo se manter calma até que tivesse uma oportunidade de vingança. 
— Desistiu, não é? Então... Qual é seu nome, donzela em apuros?  
— Caso continue a me provocar, o único em apuros aqui será você. — O garoto sorriu, disposto a testá-la. — Chamo-me Alice. E qual o seu nome, senhor provocador?  
— Dante. Criativo, não acha? Sorte minha que o mundo não está cheio de apreciadores da leitura. — O rapaz foi até um dos cômodos do apartamento e voltou com uma jaqueta em mãos. — Pronta? Temos uma criança perdida para procurar. E dessa vez, sem o João e tudo mais.  
— Sabe que na história, Maria é bem mais útil que João, não é? — Ele bufou, abrindo a porta para ela, depois fechando-a atrás dos dois. 
— Vamos, Alice, e sem correr atrás de coelhos, tudo bem? — Ela sentiu que ele não deixaria de fazer piadinha com os nomes de contos de fadas enquanto estivessem juntos. Bom, Alice faria questão de retribuir o favor. 
— Certo.  
Respirando fundo, Alice estava tentando não entrar em pânico novamente. Por mais que não quisesse admitir, Dante havia a ajudado a distrair um pouco, fazendo com que passasse do estado de “desespero-total” para um de “preocupação-angustiante”, o qual era mais fácil de racionalizar. Pensou nos possíveis lugares onde a irmã poderia estar e logo lembrou do casal do primeiro andar, que tinha um filho da idade de Maria. Talvez ela tivesse ido lá, brincar. Talvez. Tudo era uma alternativa válida. 
— Vamos passar no primeiro andar, antes de ir procurá-la na rua. Ela pode estar lá, na casa dos Ramirez. 
Esperar o elevador e estar dentro dele, num cubículo quadrado e que parecia tão pequeno a cada segundo, com uma pessoa como Dante ao lado, era algo que Alice nunca esperava vivenciar, ou sequer chegou a imaginar, na sua vida. Por mais que estivesse na busca implacável por sua irmãzinha e com o desespero lhe corroendo a alma, a garota não podia negar que uns sentimentos estranhos borbulhavam também, junto ao desespero, ao ter Dante ali, todo altivo e emanando presença mais que pecaminosa. 
Bom, ela estava com recentes 18 anos, os hormônios tinham o direito da diversão um pouquinho. Além disso, quando é que foi a última vez que estivera junto de um garoto tão bonito quanto Dante, hein? Fazia tempo! Melhor, faziam-se anos. Alice estava mais preocupada com seus estudos e leituras que mal tinha vontade e disposição para sair por aí e vivenciar a realidade tal como é.  
— Tudo bem aí com você, Alice? — Dante perguntou. — Parece um pouco atordoada.  
— Estou legal — respondeu com uma voz miúda, delatando a mentira.  
Dante só se limitou a abrir um sorrisinho de canto e se aproximou mais da garota, fazendo esta prender a respiração e fechar os olhos para iniciar uma contagem regressiva para sua explosão. A tortura não durou muito; as portas do elevador se abriram deixando-os no primeiro andar.  
Alice seguiu até o apartamento dos Ramirez e tocou a campainha. Minutos depois, após ouvir um “Já vai!” muito alto, a porta fora aberta pela Sra. Ramirez, cuja aparência insinuava certas coisas. Os cabelos estavam enroladinhos, caindo em cachos perfeitos em seus ombros, resultado obtido por milhares de bobes amontoados na cabeça que chegavam a apertar até os neurônios; a pele do rosto delicadamente maquiada numa naturalidade bonita, sabendo que antes seu rosto todo estava tomado pelo branco do creme antirrugas. Para arrematar, a nada decente camisola vermelha que a mulher trajava. 
Não que a Sra. Ramirez recebesse todas as suas visitas desse modo, nunquinha, jamais. Ela era uma mulher recatada, de bom coração, mas que não negava ter certo fogo ao olhar pelo olho mágico de sua porta e avistar um jovenzinho chamado Dante, de 19 anos, que brilhava em toda a sua beleza. Afinal, já não via um corpinho talhado pelos deuses como o de Dante há anos. O marido tinha barriguinha de chope, estava mais caído do que se imaginava em sua idade e nunca que na vida teria o sorriso idêntico ao do garoto da porta.  
— Em que posso ajudar? — Sra. Ramirez perguntou num tom aveludado, direcionando os olhos a Dante e somente a ele.  
Alice ignorou toda essa cena da mulher mais velha e foi reta e direta. 
— Por um acaso a Maria, minha irmã, está aí, senhora Ramirez?  
Senhora Ramirez estava vidrada em Dante, por isso nem respondeu coisa alguma, apenas abriu mais a porta dando passagem para que entrassem. Alice trocou um rápido olhar para o garoto ao lado e ele só deu de ombros. Logo estavam sentados no sofá da sala dos Ramirez degustando de um chocolate quente, serventia e hospitalidade da anfitriã aos convidados. Ops, melhor, ao convidado Dante, a única pessoa que via em sua frente. Alice até tentou abordar a Sra. Ramirez perguntando de sua irmã, mas a mulher estava mais curiosa sobre Dante do que qualquer outra coisa.  
— O que você está fazendo? — Alice cochichou quando viu a mulher desaparecer para a cozinha. — Pensei que fosse me ajudar! 
— E não te estou te ajudando?  
— Oh, é claro que sim! Seduzindo uma mulher à beira da menopausa é de muita ajuda, seu libertino de uma figa.  
— Bom, pelo menos sabemos que aqui sua irmã não está.  
O que era verdade. Na conversa que Dante a Sra. Ramirez tratavam segundos atrás, ela deixara bem claro que estava sozinha em casa uma vez que o marido e o filho, apenas os dois, tinham saído para passear fazia um tempão, ir na tal praça ver o Papai Noel hipertenso, e que demorariam a chegar. Ela não os acompanhou por sentir uns mal-estares — que sumiram milagrosamente ao ver o santo Dante.  
— Vamos embora daqui. — Alice colocou sua xícara na mesinha ao lado e se levantou. — Anda, vamos antes que ela volte.  
— Que falta de educação, Alice! A mulher nos acolheu em seu lar de um modo tão caloroso e ainda concedeu chocolate quente e vamos sair de fininho como se fôssemos ladrões à meia-noite?  
Alice revirou os olhos.  
— Claro, claro! Tão acolhedor que só faltou esfregar as mamárias na sua cara — disse um tanto que irritada. — Se quer ficar aí e agradecer de modo tão caloroso o modo como ela nos acolheu, seu oferecido, que fique e faça proveito. Estou saindo em busca da minha irmã.  
— Não sei o porquê, mas eu senti um pouco de ciúmes contido nessa sua frase. Com medo de que eu caía nos braços da senhora Ramirez ao invés dos seus, minha donzela em apuros?  
— Dante, sabe o verbo danar? Então, faça bom proveito dele para si mesmo.  
Indo em direção à porta, parou um pouco e pensou. Por mais que não fosse com a cara da Sra. Ramirez atrevida, não podia negar que seu chocolate quente era bom. Aí estava o motivo de Mariazinha escapulir muitas vezes de casa para brincar com o Cleitinho, o chocolate quente que a mãe do garoto fazia tinha um sabor miraculoso. Desse modo, xingando a si mesmo mentalmente, respirou fundo e gritou um obrigada para a dona da casa saindo em seguida, bem rápido. Tinha educação acima de tudo. A anfitriã ainda conseguiu correr e segurar Dante pelo pulso, dizendo para que ficasse um pouco mais. Coisa que ele respondeu com: 
— Tenho que ir. Estou acompanhando minha garota aqui.  
Minha garota.  
— Por que não ficou lá com ela? Vocês dois pareciam se dar muito bem. Ela também parecia precisar de um herói com urgência, principalmente para salvá-la do fogo que lhe corrói a alma e as partes baixas — Alice falou assim que pararam à porta do elevador.  
— O que ela precisa é de um bombeiro mesmo — Dante respondeu sorrindo. — Além disso, estou ocupado com outra coisa, melhor, com uma certa garota. Daí terei que deixar a senhora Ramirez com seu fogo por um tempo.  
— Por favor, não quero atrapalhar sua noite! Posso procurar minha irmã sozinha e muito bem. Volte lá e divirta-se.  
As portas do elevador se abriram e Alice entrou nele impetuosamente. Estava indo à praça, o lugar que talvez sua irmã tivesse ido. Ela tinha que estar lá a qualquer custo. Procuraria com toda a sua alma. Acharia Mariazinha e quando encontrasse essa peste, oh, meu Deus! O lombo dessa guria arderia como o fogo do inferno em dias de calor.  
— Deixa disso, Alice. Já não te falei? — Dante entrou no elevador e se postou ao lado da garota.  
— Falou o quê?  
— Hoje à noite a única pessoa que terá um herói será você.  
Alice sentiu suas bochechas quentes como fogo pelo modo como Dante lhe disse aquilo. Ele fitou bem os olhos dela e ainda permitiu que um sorriso moldasse seus lábios exibindo a carreira branca e impecável de seus dentes.  
— Você não falou isso — ela murmurou.  
— Não? Então ouça bem. — Dante quebrou qualquer distância que havia entre os dois e fitou bem os olhos castanhos-esverdeados de Alice. Seus cabelos escuros estavam caídos pelos olhos, fazendo sua expressão se tornar mais séria e um tanto quanto sombria. — Hoje à noite, Alice, eu sou só seu herói.  
E ela soube naquele instante que Dante a levaria para o inferno, literalmente.  
— Herói a minha bunda — resmungou baixinho, escondendo seu rosto avermelhado do rapaz que sorria largo, deixando seus dedos roçarem aos dedos de Alice.  
As portas do elevador se fecharam.  
Alice tinha chegado à conclusão que aquele dia era para pagar todos os seus pecados e Dante parecia ser um complemento dessa punição. O elevador não era grande, mas havia espaço suficiente para que ele ficasse a uma boa distância dela. No entanto, ali estava ele, próximo o suficiente para que sentisse sua respiração quente. Seus braços roçando levemente. Com o sorriso, aquele bendito sorriso que nunca saía do rosto dele.   
Não admitiria em voz alta, mas ela estava gostando. Só não podia se distrair demais, nem ceder aos seus hormônios. Tinha mais com que o que se preocupar.  
Por isso foi um alivio quando as portas finalmente se abriram (descer um andar nunca demorou tanto, em sua opinião). Pelo menos na rua poderia manter uma distância segura entre os dois. 
Saíram do prédio e a brisa fresca lhes recebeu, fazendo com que Alice tremesse involuntariamente. Olhou para sua própria roupa: uma blusa fina de manga comprida. Não exatamente a definição de quente.  
São só cinco quarteirões, consigo lidar com isso, pensou, antes de sentir um calor envolvendo seus ombros. Virou-se para Dante, que havia sua tirado jaqueta e a colocado sobre Alice. 
— Minha donzela em apuros, lembra? — Ela murmurou um agradecimento, terminando de colocar a vestimenta e ele a encarou, indagador, como se esperasse algo. 
— O quê? Quer alguma coisa? 
— Talvez você queira se oferecer para me aquecer, como a jovem solidária que é? — Ela bufou, balançando a cabeça, enquanto começava a andar na direção da praça. — Nem pensar? Posso fazer você repensar isso mais tarde. 
— Continue sonhando com isso.  
Andaram em silêncio por alguns minutos, sempre conscientes da presença do outro ao lado, mesmo que nenhuma palavra fosse trocada. 
Alice parou subitamente, agachando-se e Dante, curioso, só conseguiu ver o que era quando se aproximou mais. Aos pés dela, estava um adorável beagle, que parecia extremamente confortável com a garota.  
— Quem é esse amigo? — Ele se agachou, estendendo a mão para acariciar o animal, que aceitou de bom grado. — Ou será que é fêmea? 
— Essa é a Dolly. — Um sorriso genuíno tomou conta dos lábios de Alice, sendo a primeira vez que Dante presenciava esse tipo de expressão nela. Era bonito. Faria questão de fazê-la sorrir mais vezes. — Você devia saber, já que tem uma afinidade com seres do sexo feminino, não é? 
— Não é como se escolhêssemos no que vamos ser bom. — Ele deu de ombros, sorrindo, gostando muito de ver aquele novo lado de Alice, que só havia se mostrado extremamente temperamental até o momento. — Como a conheceu? 
— Essa parceira aqui —  acariciou-a uma última vez, antes de levantar, ato seguido por Dante, enquanto a cadela permanecia sentada no chão, encarando-lhes —, me fez companhia em muitos momentos. Quando Maria nasceu principalmente. Um irmão mais novo muda tudo e Dolly teve que ouvir os desabafos enciumados e infantis de uma adolescente de 13 anos. Depois até trouxe minha irmã aqui e ficávamos brincando com ela. Pura ironia, não é?  
— Por que não a leva para casa? 
— Minha mãe é alérgica, mas tento trazer comida e essas coisas sempre que posso. — Olhou para Dolly, acenando e torcendo para que o animal permanecesse bem e saudável por um bom tempo, antes que continuasse o caminho pretendido.  
Andaram mais um pouco, um silêncio confortável entre os dois.  
— Se sua irmã não estiver na praça, sabe onde mais ela pode estar? — ele perguntou, o que a fez acelerar o passo. Por um instante, achou que ela fosse ignorá-lo, mas logo após ouvir a resposta, em uma voz que soava quase frágil, mudou de pensamento. 
— Não faço ideia. E acho que eu não saberia o que fazer sem ela. Diabos, se eu tivesse a trazido para cá, em primeiro lugar, nada disso estaria acontecendo e... — ela parou de falar, respirando fundo. A praça bem à frente, com uma sentença pronta, e não queria perder a esperança. 
Virou-se para Dante, que estava quieto demais, o que era totalmente incomum para o rapaz. Então, inesperadamente, ele a abraçou. E não havia nenhuma malícia, desejo ou sentimento contido naquele abraço, além da simpatia, compreensão e apoio. Alice adorou aquela sensação. Em um instante, sua cabeça estava cheia de preocupações e, depois, não.  
— Sabe, nos contos de fada sempre há um final feliz. Então não se preocupe, Alice — murmurou em seu ouvido. Parecendo não querer manter a doçura do momento, continuou: — Seu príncipe encantado está aqui. Talvez se me der um beijo, sua irmã apareça bem na nossa frente e tudo estará resolvido. 
— Imbecil. — Empurrou-o, revirando os olhos e voltando seu foco para a praça. 
A praça era um lugar grande, com árvores para todos os lados, o chão tomado por paralelepípedos branco e preto, com direito a uma fonte de anjinhos fazendo xixi em seu centro. Havia também coretos espalhados pelo local, lugares propícios para os namoradinhos dar uns pegas no fim da noite, assim como bancos de cimento ou de madeira em cada canto da praça. Em épocas de festividades, devido ao grande número de turistas que passavam pela cidadezinha, a praça passava por reformas. No Natal, por exemplo, ela estava toda enfeitada de luzinhas pisca-pisca, anjinhos e tudo aquilo que remetesse o tempo natalino.  
Alice, quando menor, gostava de ir ali no Natal. Passeava pelo lugar com seu pai admirando cada enfeite e se divertindo com as apresentações que faziam para as crianças. Mariazinha também.  
Maria, cadê você?  
Alice e Dante se dividiram à procura da garotinha. Enquanto ele interrogava um guarda perguntando se havia visto Mariazinha, Alice estava perguntando a todas as pessoas que conhecia se por um acaso não avistaram sua irmãzinha por ali. A busca pela praça fora infrutífera. Olharam cada rostinho de criança, foram a cada canto do lugar e perguntaram para quem pudesse ajudá-los. Chegaram a perguntar ao Papai Noel hipertenso! No fim, os dois não tinham mais o que fazer.  
Dante puxou Alice para descansar num banco.  
— Nada de Mariazinha por aqui — murmurou a ela.  
— É...  
— Tem em mente algum outro lugar?  
Alice pensou. Pensou. Pensou bastante.  
— Já fomos em todos os lugares que ela iria — respondeu derrotada. 
— E agora? — perguntou baixinho a ela.  
— Pois é, Dante, e agora, o que eu faço? — saiu num tom choroso.  
Dante olhou para a garota ao lado, toda encolhida, com os olhos lacrimosos, as mãos tremendo, os pés balançando num sinal de desespero e inquietude. Alice parecia tão frágil... Assim como beijável. Os lábios vermelhos sendo castigados pelos dentes pedindo por uma atenção. Por isso Dante, num ato impensável, estendeu seus dedos e tocou a bochecha dela. Acabou empurrando a mecha de cabelo insistente frente aos olhos para trás da orelha. Aproximou-se mais. Pôde sentir o cheiro de chocolate quente em Alice e outras fragrâncias como baunilha vindo de sua pele. Num piscar de olhos as coisas tinham saído do controle. Alice sentiu um par de braços a puxando para si e rodeando seu corpo de forma possessiva, então um rosto ajeitado na curvatura de seu pescoço. Lábios roçando a pele daquele lugar.  
— O-o q-que você está f-fazendo? — gaguejou.  
— Te abraçando — a resposta veio murmurada em seu pescoço.  
— P-por quê?  
Dante deixou o pescoço cheiroso de Alice e fitou os olhos castanho-esverdeados da garota.  
— Porque você está precisando — disse. — E porque senti vontade de fazer isso com você.  
— Vontade? — sussurrou baixinho.  
— Sim, vontade. Assim como uma vontade de te beijar — falou num tom baixo. — Posso? — pediu.  
Os lábios já estavam muito próximos. As respirações confundidas, os olhos muito intensos. Dante e Alice estavam dentro de uma bolha particular. Todo o resto era ignorado dali de dentro.  
— Posso tomar seus pensamentos por um instante? — Dante insistiu.  
Alice não respondeu. Estava estática, sem reação. O rapaz à sua frente tinha a capacidade de fazer isso consigo. Apenas viu os rosto dele chegando bem mais pertinho. Sentiu os lábios dele roçando nos seus e pedindo por correspondência. Ela queria aquilo. Nossa, seria uma grande mentira se dissesse que não. Durante toda o tempo que esteve ao lado dele, viu como seus hormônios agiam, como seu coração batia e como seus pensamentos ficavam. Quase se deixou levar. Quase, pois quando se lembrou o motivo de estar naquela praça na companhia de Dante, o empurrou delicadamente.  
— Meus pensamentos são só de Maria no momento — disse baixinho. — Me desculpa.  
A única coisa que Dante sentiu foi o frio em seu corpo pela falta de calor da presença de Alice perto de si. Viu a garota se afastando para longe, com os pensamentos na irmãzinha.  
Droga, ele queria muito beijá-la. Só não forçaria nada naquela situação e, por isso, achar a irmã de Alice era uma meta pessoal. Depois que tudo estivesse resolvido, talvez a situação fosse diferente.  
— Aonde estamos indo agora?  — Ele correu até onde ela estava, já a certa distância. Ela o examinou, percebendo seu sorriso determinando, como se nada tivesse acontecido há alguns instantes. Ela queria compreender o que passava na cabeça daquele garoto, mas agora não estava com cabeça para isso, por isso só voltou a andar. 
 — Para minha casa. De lá vou ligar para a polícia e, depois, para os meus pais. É a última opção — sua voz soava fraca, como se tivesse perdido toda sua energia naquele período de tempo.  
Fizeram seu caminho, sem falar mais nada. Suas cabeças lotadas demais, tornando-os indispostos a conversar. Ela, preocupada com a irmã, com a reação dos pais e até com a situação de Dante. Ele, com os pensamentos cheios de Alice e até mesmo de preocupação com garotinha que nem ao menos conhecia. Afinal, de certa forma, com toda essa procura, havia criado uma certa ligação.  
Mesmo quando entraram no prédio e foram até o elevador, permaneceram quietos. O silêncio só foi quebrado quando Alice falou, parecendo ter se recomposto.  
— Sabe, eu não te agradeci. Você não tinha que fazer nada disso. Sua avó deve estar preocupada com você, então se quiser voltar para lá depois, eu vou entender. 
 — Alice — chamou-a. Seu tom era sério, quase autoritário, mas ela continuou olhando para o chão.  — Alice, olhe para mim.  — Ele levantou seu queixo, fazendo com que ela tivesse de encarar aqueles hipnotizantes olhos âmbar.  — Eu me ofereci para te ajudar e até ter certeza que você e sua irmã estão bem, não vou te deixar. Minha avó me bateria se eu fizesse isso, por sinal. 
Um quase sorriso brotou de seus lábios, com a ideia da velha senhora ameaçar bater no jovem com um guarda-chuva ou uma vassoura. Antes que pudesse responder, a porta do elevador abriu, apontando que já estavam em seu andar. 
 — Muito obrigada, Dante.   
Ela saiu e foi até a porta de seu apartamento. Alice tentava evitar pensar em todas as coisas ruins que poderiam ter acontecido com a irmã, mas seu coração estava apertado e sabia que a partir do momento que ligasse para seus pais, as coisas piorariam. Abriu a fechadura e, assim que deu um passo a dentro do apartamento, olhando ao redor, não pôde acreditar no que via. 
Não podia acreditar no que seus olhos estavam vendo. Não era possível. Aproximou-se do sofá e ajoelhou-se perto da criaturinha abraçando seus próprios joelhos. Criatura que olhou para cima, com olhos verdes cheios de lágrimas e que, assim que viram Alice, se arregalaram. Ela pulou para os braços da mais velha, que ainda parecia estar chocada. 
 — Maria? É você mesmo?  — Depois de abraçá-la bem forte, afastou-se examinando-a, conferindo se havia algum machucado ou ferimento na garota, que não parava de chorar. Ela parecia bem e inteira. O que ainda não explicava o que ela estava fazendo ali no apartamento, enquanto Alice havia quase enlouquecido a procurando. 
 — Você! — a menininha soltou outro soluço e Alice a pegou no colo, tentando acalmá-la, como sempre fazia. Depois de um tempo Maria parou de chorar e continuou a falar.  — Queria te assustar por não me levar na praça. Aí fiquei debaixo da sua cama, mas dormi. E quando acordei, você não estava mais aqui.  
 — Oh, meu Deus. — Ela estava feliz que a irmã estava bem, mas não podia acreditar que a irmã estivesse simplesmente embaixo de sua própria cama. O único lugar que nunca procuraria.  
 — Será que eu teria a honra de conhecer quem procurei durante todo o dia?  — Ainda com Maria agarrada a si, virou-se para Dante, que estava escorado na parede, perto do batente da porta. Havia esquecido da presença dele por alguns instantes, mas ele nunca permitiria que isso acontecesse por muito tempo.  
Maria olhou para ele e, com um sorrisinho banguela, apontou, depois voltando-se para a irmã. 
 — Moço bonito, Lice. Quem é?  — Mesmo sem ver, ela sabia que o sorriso de Dante deveria estar enorme. Diabos, agora que a cabeça dela não estava nublada de preocupações, ele estava ainda mais bonito. Como se lesse seus pensamentos, ele se pronunciou. 
 — Está vendo, Alice? Poderia ser como sua irmã, honesta, e admitir sua atração.  — Ele se aproximou e estendeu a mão para a menina, que a pegou com entusiasmo.  — Sou Dante. A seu dispor, madame.  
 — Sou Maria. — Alice jurava que nunca tinha visto a irmã sorrir tanto para um desconhecido. Sentindo que ela já estava calma o suficiente, colocou-a no chão e ela parecia mais que satisfeita, ficando mais próxima do rapaz, os olhos brilhando em curiosidade.  — Da onde você conhece a Lice?  
 — Fui o príncipe dela em uma aventura espetacular esta noite. — Ele agachou-se para ficar na altura da garota, e por mais que Alice não quisesse admitir, ele parecia adorável conversando com ela. Volte a si, Alice.  — Não que eu vá cobrar, mas sua irmã ainda me deve um beijo. 
Alice arregalou os olhos e lhe deu um tapa, fazendo com ele se desequilibrasse e caísse sentado no chão. Ela sabia que não havia nada hilário naquilo, mas talvez porque seu dia havia sido cheio de altos e baixos, começou a rir como se fosse a situação mais engraçada do mundo. E, logo, eles a acompanharam. Riram sem preocupações e demorou algum tempo para conseguissem parar, já que cada vez que começavam a parar, olhavam entre si e voltavam a rir.  
Quando finalmente se recompuseram, Dante se levantou com a ajuda de Alice, que quase parecia tentada a lhe deixar cair. Velhos hábitos não morrem fácil, pensou, sorrindo. 
 — Então  — os dois mais velhos trocaram um olhar, cheio de significados, e Dante continuou, suspirando —, acho que tenho que voltar para casa. Missão cumprida, afinal, não é? 
Acompanharam-no até a porta e assim que a abriram, um delicioso cheiro de comida lhes recebeu, fazendo com que a boca de todos se enchessem de água. As comidas de dona Cida eram famosas por todo o prédio, já que o instigante cheiro se espalhava por todo ele, deixando muitas pessoas com o estômago roncando. 
O que foi o que aconteceu com Maria, que olhou com olhos pedintes para Dante. 
 — Dan, por que você tem que ir?  
 — Para passar o Natal com minha avó, pequena.  
 — Podemos ir com você?   
 — Maria, não podemos simplesmente nos convidar para a ceia deles. — Ela balançou a cabeça para a mais nova, que só acenou, chateada, porque sabia que a única refeição que teriam ali seria algo esquentado do almoço, já que culinária não era a área de Alice.  
Dante olhou para as duas, avaliando-as. Deu de ombros, antes que falasse. 
 — Minha vó sempre diz, “onde come um, come dois ou três”. Estão convidadas, se quiserem ir. — Com uma Maria saltitante, acrescentou: — Não quero ficar sem presentes do Papai Noel porque deixei duas meninas famintas passarem o Natal sozinhas. 
 — Idiota — Alice disse, fechando a porta atrás de si, depois olhando para ele, que as esperava, com um sorriso no rosto. — Tem certeza que dona Cida não vai se incomodar? 
 — Fique tranquila, Alice. Assim que ela ver Maria, os olhos dela vão brilhar. Como todos os seus netos já estão mais velhos, ela fica feliz com a presença de qualquer criança. E como já as conhece, vai adorar a companhia. 
 — Certo. — Trancou a porta, indo para o corredor e então lembrou que ainda estava com a jaqueta dele.  Tirou-a e entregou. — Estava quase esquecendo de devolver. Muito obrigada. 
 — Droga, Alice, você é inteligente demais. Estragou meu plano de ter uma desculpa para falar com você depois. — Balançou a cabeça, dando de ombros, um sorriso malicioso surgindo nos lábios.  — Mas sabe, se por acaso tiver um visco na casa da minha avó, não vai ter como escapar. 
Alice permaneceu quieta. Não é como se ela fosse tentar escapar. Afinal, por mais louco que tivesse sido aquele dia, pôde conhecer o garoto e sentiu coisas perto dele, então agora estava tudo bem. E não ligaria de aproveitar o resto desse Natal da melhor maneira possível.  
E isso significava que Alice estava disposta em até experimentar do inferno particular que era Dante.  
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Nota das Autoras

Karla: Quero dizer que escrever essa história foi um desafio para mim. Vitória sabe o quanto. Basicamente: tudo o que tenho escrito nesse ano é yaoi. Assim como lido (com a exceção dos shoujos da vida e os livros). Daí, me aventurar pelas águas do menininha + menininho ao invés de menininho + menininho foi complicado. Mesmo assim, no final, resultou em tudo isso e gostei bastante. Vitória foi muito compreensiva e fazia tempo que não escrevia nada com a companhia dela. Nostalgia me tomou. Enfim, quero desejar feliz natal a todos. 
Torcendo para que você (e eu também) encontre um Dante pra fazer da sua vida um inferno gostoso.

Vitória: Woaah. Estou tão feliz com ter conseguido escrever essa história, por dois motivos. Para quem conversa comigo ou me segue em alguma rede social, sabe que uma da minhas metas de 2014 era terminar uma história e, com esse conto, acabei conseguindo. Também, porque queria dar um "presente" pra vocês, algo que marcasse a data.
Não sei se ficou um conto perfeito ou nada do tipo, mas aproveitei bastante o processo de criação (Karla S2), então está valendo. Espero que aproveitem e, hey, o Dante é meu, ok? Brincadeirinha, ou não.
Ah, e pessoal? Feliz Natal \o/ 
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Sobre a Autora

Estudante de Direito, 20 anos, Mineira.
Leitora desde que se entende por gente, adora fantasia e romance, mas não deixa de lado o suspense e terror. Além disso, assídua por filmes novos e, pra falar a verdade, gosta e vê todo tipo de mídia, de anime, mangá, dorama até gameplay de jogos que ela claramente não vai jogar bem.

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